Chamada para Trabalhos – 2025

  1. Sobre a conferência
  2. Sobre a chamada
  3. O que submeter

Sobre a conferência

A 5ª Conferência Não Monogamias e Intimidades Contemporâneas (NMCI) está chegando.

As não monogamias têm se consolidado como um campo de reflexão, pesquisa e prática que desafia normas tradicionais e propõe  outras maneiras de organização das relações afetivas e íntimas. Vivemos um momento em que as formas de se relacionar e de reelaborar as intimidades têm sido cada vez mais debatidas em diferentes esferas: nas ciências, nos movimentos sociais, nos Estados, nas mídias, nas artes, nas culturas e nos espaços da internet. Nesse cenário, torna-se fundamental a criação de encontros críticos que possibilitem a troca de vivências e saberes, de forma a ampliar o debate sobre os impactos e possibilidades das não monogamias no mundo contemporâneo. 

A Conferência NMCI foi criada em resposta à necessidade de estabelecer espaços de discussão sobre essas questões, em diferentes países, reunindo participantes da academia, artistas, ativistas e outras pessoas envolvidas em pesquisas, políticas e práticas relacionadas às não-monogamias e aos modos contemporâneos de intimidade.

A Conferência ocorre a cada dois anos e tem sido realizada em diferentes partes do mundo. A primeira edição ocorreu em Lisboa (Universidade Nova de Lisboa), em 2015; a segunda em Viena (Universidade Sigmund Freud), em 2017; a terceira em Barcelona (Universität Pompeu Fabra, Centro Cívico Pati Llimona e  Sala Apolo), em 2019; a quarta aconteceu de forma online no contexto da pandemia em 2021 e presencialmente em Valparaíso, Chile, (Universidad de Valparaíso), em 2023. Nesta quinta edição a conferência será realizada na cidade do Rio de Janeiro, Brasil, (Universidade Federal do Rio de Janeiro), campus Praia Vermelha, em 2025.

No Brasil, essas discussões tem se expandido desde o início do século XXI. Grupos sociais articulados às vivências e conceitos de relações livres e poliamor, principalmente, contribuíram para promover as relações não monogâmicas como uma questão importante na agenda de debates públicos. Desde então, o número de pessoas com práticas e identidades não monogâmicas tem crescido, e coletivos que buscam refletir suas próprias realidades e repensar novas formas de afeto e sexualidade se expandem por todo o território nacional. 

O Brasil tem ocupado um lugar de destaque nas discussões sobre não monogamia, principalmente devido às disputas jurídicas relacionadas ao reconhecimento de uniões estáveis “poliafetivas”, que começaram em 2012 e foram proibidas em 2018 pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Em 2020, em meio ao acirramento das discussões públicas, foi criado o grupo de pesquisa “Não-mono: Políticas, Afetos e Sexualidades Não-Monogâmicas” (CNPq), responsável pela organização da 5ª NMCI. O grupo  reúne pessoas pesquisadoras de universidades de norte a sul do país dedicadas ao estudo das relações não monogâmicas, como poliamor, relações livres, swing, relacionamento aberto, poligamia, entre outras. 

De maneira geral, o crescimento do debate ocorre em um cenário político e social complexo, onde discursos conservadores buscam impor visões rígidas sobre relações e afetos, enquanto movimentos de resistência reafirmam a importância da diversidade e da autonomia nas configurações relacionais.

Afinal, como as pessoas têm construído suas vidas afetivas diante de tantas concepções que se transformam constantemente? E como as não monogamias contribuem para a ampliação dos modos de existir e afetar o mundo, em meio a um contexto de crescimento do fascismo e conservadorismo?

É nesse cenário que temos data marcada para 29 e 30 de novembro na modalidade online e 03, 04 e 05 de dezembro de forma presencial no Rio de Janeiro, para que possamos compartilhar, compreender e contribuir para essas questões, que, de maneira intensa, têm composto o debate público.


Sobre a chamada

A 5ª Conferência NMCI é um espaço de reflexão e diálogo inter e transdisciplinar, reunindo diferentes áreas como Ciências Sociais, Psicologia, Direito, Ciências da Saúde, Comunicação, Artes, além de movimentos sociais. O evento busca integrar uma série de perspectivas críticas sobre gênero e sexualidade, família e parentesco, colonialidade, raça e etnia, direitos humanos e economia política, assim como temas transfeministas, teoria queer/cuir, estudos culturais, pós e transhumanismo, entre outros.

Com base nessas abordagens, a conferência contemplará uma série de temas, incluindo:

1) Estado e direitos – Relações entre Estado, direito e monogamia, mononormatividade e reconhecimento legal das não monogamias, formas emergentes de ativismo judicial, alternativas à centralidade jurídico/institucional da família nuclear nas políticas públicas e de assistência social.  

2) Família e Parentesco – Multiparentalidades e a biopolítica emergente do parentesco humano e não humano.  Parentescos não monogâmicos e múltiplas concepções de parentesco reconhecidas ou não pelo Estado. Parentesco entre povos indígenas. Perspectivas queer/cuir em Abya Yala.

3) Movimentos sociais e ativismos não monogâmicos – Dissidência relacional e experiências ativistas; relações entre o ativismo não monogâmico e os movimentos feministas, LGBTQIAPN+, antirracistas entre outros. Interseções entre sexualidade, ordem pública, precariedade econômica, pânicos morais, repressão a protestos e demais opressões originadas pelo sistema capitalista e neoliberal.

4) Saúde coletiva e Psicoterapias – Violências nas práticas e discursos profissionais e nas políticas públicas de saúde que reproduzem a mononormatividade. Relações entre moralidades monogâmicas e saúde pública, corpo e vulnerabilidades. Semelhanças e contrastes nos efeitos da pandemia de HIV/AIDS e da Covid-19 sobre as dissidências sexuais. Fortalecimento de redes virtuais de apoio e espaços de acolhimento para grupos de não monogamia. Psicoterapias e redes de cuidado no contexto das relações não monogâmicas.

5) Subjetividades, identidades e práticas sociais – Produção de subjetividades contemporâneas, práticas de emancipação, autonomia e desconstrução de estereótipos. Construção de identidades políticas e práticas contra-hegemônicas. Processos de subjetivação nas relações não monogâmicas, incluindo hierarquização, ciúmes, compersão e outros aspectos.

6) Territorialidade, colonialidade, diferenças culturais e geopolíticas – Relações Norte-Sul nos estudos sobre não monogamias. Monogamia, catequização e colonização. A hipersexualização de corpos não brancos e corpos não monogâmicos. Relações entre poliamor, poligamia, islamofobia e outras formas de xenofobia. Racismo em comunidades não monogâmicas. Dissidência relacional no Sul Global, etnocídio e sexualidade. Ball culture. Abordagens pós-coloniais, decoloniais, anti e contracoloniais. Relações com o meio ambiente no Antropoceno.

7) Opressões de gênero e práticas sexuais não monogâmicas – Não monogamia política, relações livres, anarquia relacional, poliamor, relacionamento aberto, swingers, entre outros. Trabalho sexual, sexualidades e afetividades online, cibersexo, BDSM, aplicativos de namoro, assexualidade, etc. Feminismos, masculinidades, machismo e misoginia. Debates sobre como essas práticas e outras categorias estão tensionando normas de gênero e sexualidade.

Almejamos proporcionar um espaço de encontro entre as comunidades acadêmicas, artísticas e ativistas, desafiando os modelos convencionais do sistema hegemônico de produção de conhecimento. Portanto, estamos abertos a uma variedade de formatos de participação que será apresentada a seguir.

O que submeter

  • Pessoas acadêmicas, ativistas e artistas do mundo todo  interessadas ​​em discutir e refletir sobre as não monogamias e as intimidades contemporâneas serão bem-vindas para participar da conferência;
  • Podem ser enviadas propostas para apresentações orais, exposições artísticas e culturais, minicursos, oficinas, filmes/documentários e lançamento de livros;
  • As contribuições serão recebidas em português, espanhol e inglês;
  • Os trabalhos serão distribuídos em grupos conforme o idioma de submissão português/espanhol e inglês. A apresentação do trabalho deverá ocorrer no respectivo idioma em que o trabalho for submetido;
  • Encorajamos, caso haja fluência em inglês que as submissões e apresentações sejam feitas nesse idioma, a fim de favorecer um diálogo global mais abrangente;
  • Grupos de trabalhos serão criados a posteriori das submissões, com base nos eixos temáticos indicados no formulário;
  • As submissões poderão ser nas modalidades online ou presencial;
  • As submissões deverão ocorrer conforme as diretrizes de cada modalidade:

Apresentações Orais: resumo expandido entre 2.000 e 4.000 caracteres com espaço, contendo: título, palavras-chave, tema, objetivos, metodologia (processo de elaboração), resultados/conclusões. Inserir referências bibliográficas ao final para apresentações acadêmicas. O tempo de apresentação será de aproximadamente 15 minutos.   

Performances: resumo expandido entre 2.000 e 4.000 caracteres com espaço, contendo: título, tema, objetivos, descrição e anexo com imagens. O tempo de apresentação será de até 60 minutos.  

Instalações (fotografia, pintura, escultura, entre outras): resumo expandido entre 2.000 e 4.000 caracteres com espaço, contendo: título, tema, objetivos, descrição e anexo com imagens. O tempo de apresentação e interação com o público será de 60 minutos. (Apenas na modalidade presencial).

Filmes/documentários: resumo expandido entre 2.000 e 4.000 caracteres com espaço, contendo: título, tema, objetivos, metodologia, desenvolvimento e link com trechos do audiovisual. Serão aceitos filmes/documentários com tempo de duração de no máximo 60 min para exibição e discussão. 

Minicurso: resumo expandido entre 2.000 e 4.000 caracteres com espaço, contendo: título, tema, objetivos, metodologia e conteúdo programático. Inserir referências bibliográficas ao final. O tempo disponível será de 60 minutos.

Oficinas: resumo expandido entre 2.000 e 4.000 caracteres com espaço, contendo: título, tema, objetivos e metodologia. Inserir referências bibliográficas ao final. O tempo disponível será de 60 minutos.

Lançamento de livros: resumo simples de até 500 caracteres com espaço, contendo: resumo, palavras-chave, imagens da capa e contra-capa (opcional). O tempo para apresentação de cada livro será de aproximadamente 15 minutos.

  • Cada proponente poderá submeter 1 trabalho como autor principal;
  • Cada pessoa poderá ser coautora em mais 1 trabalho; 
  • Cada trabalho poderá ter no máximo 5 autores;
  • As submissões de trabalhos serão realizadas através do preenchimento do seguinte formulário link (CRIAR).
  • As palestras e mesas redondas terão tradução em português-inglês-português e espanhol-inglês.
  • As demais atividades poderão ser realizadas em português, espanhol ou inglês, conforme regras de cada modalidade, mas não contarão com tradução simultânea.
  • Observação: Nos esforçaremos para proporcionar uma experiência inclusiva, segura e livre de assédio para todas as pessoas participantes. Se você tiver necessidades adicionais de acessibilidade (por exemplo, mobilidade) entre em contato com a organização. Faremos o melhor para atender às suas necessidades.